Comentário sobre o artigo “Diploma e Monopólio”

Concordo com os argumentos de Claudio de Moura e Castro. Apesar de bem intencionada a OAB não deve ditar quais são as faculdades boas e ruims de direito, pois a sua competência principal é vigiar o exercício do direito por profissionais

habilitados por ela, já que ela através da aplicação da sua prova determina quem pode advogar ou não.

A postura da OAB é reforçada por um pensamento simplório de que pessoas que cursam cursos de direito considerados fracos são ingênuas e que jamais conseguirão a aprovação da OAB para advogar, logo deve-se fechar tais cursos para “cortar o mal pela raiz”. O engano da OAB é considerar que existe uma forte associação entre graduação e profissão o que na verdade não é o que acontece.

De acordo com o Observatório Universitário, no Brasil, excluindo-se a área de medicina, pouco menos na metade dos graduados trabalham em áreas correspondentes a sua formação. Não é difícil encontrar por aí bacharéis de direito/taxistas,
engenheiros/vendedores,economistas/escriturarios e professores/balconistas. Citando celebridades temos o cantor Ivan Lins, formado em engenharia química, o engenheiro civil Henrique Meirelles, atual presidente do Banco Central.

Apesar de ser aparentemente estranho pessoas cursarem um cursos universitários e ocuparem cargos não correspondentes a sua formação, isto é uma realidade comum a várias décadas em muitos países. Nos EUA, onde o ensino universitário é massificado, ninguém estranha se encontrar um arquiteto/policial, pois lá já se considera pre-requisitivo superior completo em atividades que aqui se exige somente o ensino médio. Grandes empresas multinacionais já sabem a muito tempo que formação universitária não corresponde a profissão ,como a americana Carly Fiorina , ex-presidente da Compaq, formada em História Medieval e Filosofia pela Universidade de Stanford.

Quanto a regulamentação da profissão de informática sou concordante com o parecer da Sociedade Brasileira de Computação sobre esse assunto. O ideal não é se associar a sindicatos ou a órgão de classe mas sim adotar a auto-regulamentação, assim como fizeram os publicitários com a criação do CONAR.

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Rascunhos da Web 3.0

Parece que a Web 3.0 já está batendo na porta. Li uma reportagem no New York Times relatando sobre o andamento dos trabalhos sobre Web Semântica, uma idéia do pesquisador Tim Berners-Lee. Para quem não sabe, a web semântica é simplesmente apresentar informações relevantes de um site de forma maximizar o entedimento das informações por máquinas de coleta e classificação de informações , ou usando as palavras do seu idealizador, transformar a Web em dados.

Mas como transformar a Web em dados? A anos atrás li o artigo original de Tim Berners-Lee sobre a Web Semântica, que ele considera o próximo passo evolutivo da Internet, mas não conseguia ver como isso seria implementado. Para a minha surpresa o comitê da W3C conseguiu vislumbrar a idéia de Berners-Lee e já está com o trabalho de definição de padrões adiantado.

Pelo que posso imaginar as informações serão disponibilizadas da mesma forma que o padrão RSS é disponibilizado hoje, ou seja, em XML através de Web Server, o que permitiria a interoperalidade de entre aplicações na internet. Exemplificando: Hoje os metabuscadores como o site Buscapé colhem informações simulando a busca de um usuário em um site de compras e extraindo as informações resultantes do HTML bruto, mas com o uso da web semântica as informações estarão disponibilizadas diretamente em XML, em formato padronizado e amplamente conhecido, tornando o intercâmbio de informações mais fácil e dinâmico.

Com a combinação de dados de várias fontes será possível implementar aplicações que podem responder perguntas como “Quero um roteiro de férias para o interior de Minas Gerais, com mais 5 pessoas, por 10 dias, considerando todos o meios de transportes disponíves com um orçamento entre R$2000 e R$2500″. Hoje em dia para se responder uma pergunta como essa é necessária uma longa pesquisa pela internet e combinar as informações manualmente em uma planilha, futuramente pode estar disponível com um simples clique de botão.

Prevejo que se esta tecnologia for endossada pelos grandes players do mercado uma demanda por especialistas que entendam este novo conceito, e um novo foco em investimentos em Business Inteligence, Data mining e Inteligência Artificial para aplicações web, mas a sua adesão não será fácil e nem irrestrita .

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